A correria do cotidiano, a dupla jornada feminina acaba entregando seus filhos à babá eletrônica, a Televisão. Uma vasta programação infantil, com canais exclusivos dedicados à molecada, facilitam o serviço de entreter a criança no mundo moderno onde há muito o que fazer e pouco tempo pra cuidar do que é importante. Porém, a eficácia dos programas de tv é discutível. Misto de condicionante para o consumo exagerado e mau exemplo devido ao excesso de violência, são poucos os programas que de fato educam. Programas educativos não dão audiência e por conseqüência não atraem patrocinadores, diz a Tv aberta. Já a Tv a cabo dispõe de canais exclusivos com programas infantis educativos, muito pouco sintonizados por suas mães e babás, e pelas próprias crianças, quando já adquirem opinião sobre o que desejam assistir.
É difícil competir com o excesso de propaganda que inunda a mente de uma criança numa programação normal. Durante o intervalo são ofertados brinquedos e games que insuflam a criança a pedir a seus pais que comprem os produtos relacionados a seus heróis favoritos. Isso se dá porque hoje temos uma carência de heróis infantis, não na TV, mas na realidade, já que as crianças pouco vêem seus pais e são entregues nas mãos de professores e babás muitas vezes despreparados. Sem contar com a dura realidade em que vivemos, em que os heróis reverenciados pelas crianças são ladrões e os bandidos são da polícia.
Violência em desenhos animados sempre existiu, mas perdeu a inocência dos tempos em que os desenhos não eram animações de computador. Alguns “especialistas” que alegam que um desenho como Pernalonga contém cenas de preconceito e violência, e se esquecem que a trilha sonora deste desenho é de Johann Sebastian Bach. Algumas árias e obras literárias da cultura americana foram satirizadas por desenhos animados das décadas de 30, 40 e 50. O “Américan Way Of Life” foi amplamente satirizado nos anos 60 e 70. Infelizmente, os desenhos de hoje cumprem uma função apenas de manter a criança calada e fazê-la comprar ao invés de pensar.
É possível fazer a criança se entreter e pensar e ainda comprar? Claro! Exemplos de programas como Vila Sésamo (até hoje exibido nos EUA), Castelo Rá-Ti-Bum dentre outros programas brasileiros, fazem com que a criança entre num mundo de imaginação e aprenda sem sentir, mas infelizmente não são valorizados pela audiência, somente pela crítica.
A culpa não é só das emissoras. Elas cumprem o seu papel, pois são exibidoras e não educadoras. E a criança também não pode ficar alheia à violência, pois o mundo real não é nem um pouco parecido com o arco-íris pintado no desenho dos Ursinhos Carinhosos. Os pais tem importante e principal participação e culpa nesta situação, pois eles não podem utilizar a televisão como uma válvula de escape aos seus problemas e uma solução para a falta de tempo. O tempo perdido educando seu filho, limitando seus horários para assistir TV, mostrando que existem outras soluções de entretenimento (como um bom livro adequado à idade da criança) e até conversando com ele sobre o assunto de um desenho animado, mesmo que o tema seja sobre luta de ninjas alienígenas, será um tempo economizado à frente, quando poderá ser tarde demais a descoberta de seu filho que a Tv não só não o educou, mas também o induziu a uma falsa realidade ou a uma frustração quando ele perceber que o mundo real não é como nos comerciais de sucrilhos.
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